ENGLISH
Intervenções
ÁREAS DE INTERVENÇÃO PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

De acordo com a nossa experiência profissional destacamos algumas das áreas de intervenção mais solicitadas, no entanto o ABA não se limita apenas a estas áreas.

 

1. Desordem do Espectro do Autismo

2. Perturbaçao de Hiperactividade e Défice de Atenção - PHDA

3. Comportamento Anti-Social

4. Hábitos Nervosos

5. Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC)

6. Medos, Ansiedade e Fobias

7. Fobias Específicas

8. Fobia Escolar

9. Relação com os Irmãos 

10. Perturbações do Sono

11. Violência na Escola

 

 

1. Desordem do Espectro do Autismo

O Autismo é uma desordem neurodesenvolvimental em que a expressão varia acentuadamente de um indivíduo para outro. Deste modo, é tratado como um espectro, o que significa que os sintomas variam na sua ocorrência e severidade através dos indivíduos. Enquanto um individuo pode apresentar uma boa competência verbal, outra pode nem conseguir vocalizar; enquanto um individuo pode imitar bem os movimentos de outro, outra pode considerar esta habilidade difícil. Portanto, existem dificuldades centrais que são observadas na maioria dos indivíduos diagnosticados com perturbações do espectro do autismo. Estas incluem:

Linguagem e Comunicação: estas dificuldades incluem a comunicação verbal e não-verbal, tal como o contacto ocular, expressão facial, linguagem corporal, compreensão da linguagem falada, etc.

Comportamento Social: indivíduos que são diagnosticados com perturbações do espectro do autismo geralmente consideram difícil a compreensão e/ou expressão das emoções, tal como mostrar empatia e no discurso com outros. Eles geralmente demonstram ainda dificuldades na interacção social e nas actividades lúdicas.

Comportamento: indivíduos diagnosticados com perturbações do espectro do autismo geralmente envolvem-se em comportamentos repetitivos, eles podem insistir em determinadas routinas ou rituais; organizações rígidas de objectos, etc.

O autismo emerge nos primeiros 3 anos de vida. Indivíduos afectados por esta perturbação manifestam atrasos nas competências que são aprendidas entre a infância e a idade adulta.

Esta perturbação afecta os indivíduos, suas famílias, prestadores de cuidados e todos aqueles envolvidos no seu dia-a-dia, especialmente quando temos em consideração a complexidade de comportamentos, reacções e emoções que os indivíduos apresentam.

Apesar dos tratamentos, a intervenção intensiva precoce particularmente, pode promover as competências individuais, comportamento, autonomia, comunicação, interacção social e funcionamento geral, não existe “cura” para o autismo. No entanto, se nenhuma intervenção for aplicada, as probabilidades da criança autista crescer e se tornar um adulto funcional são drasticamente reduzidas.

Uma das mais sucedidas intervenções, baseado nas conclusões científicas, é IEBI (Intervenção Precoce Comportamental Intensiva). Baseado na teoria da aprendizagem e estudos do condicionamento operante de Skinner, IEBI acenta na identificação dos princípios do comportamento, tais como, o reforço, fading, shaping, prompting, etc. ABA refere-se à aplicação destes e de outros princípios, e actualmente abrange diferentes estratégias de tratamento.

Um dos primeiros estudos que aplica os princípios da aprendizagem comportamental à população com perturbações do espectro do autismo é Dr. Ivar Lovaas, na UCLA durante os anos 60’s. Neste estudo, 47% das crianças diagnosticadas com estas perturbações que recebem intervenção comportamental intensiva precoce foram bem sucedidas no que diz respeito à integração no sistema educativo normal. Um estudo de follow-up, realizado 11 anos mais tarde, confirmou que os benefícios se mantêm. Várias décadas de pesquisa demonstram a eficácia do ABA na intervenção numa ampla variedade de populações, professores, pais, educadores, terapeutas, prestadores de cuidados, contextos e comportamentos.

 Voltar ao topo

 

2. PHDA

PHDA (Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção) é uma desordem desenvolvimental. É afectada por factores, orgânicos, neurofisiológicos e envolvimentais. PHDA parece estar relacionada com outras condições, tais como ODD (Perturbação de Oposição e Desafio) e CD (Perturbação de Conduta). PHDA frequentemente requer a utilização de medicação para controlar comportamentos e sintomas cognitivos.

Até agora, a combinação de estimulantes (farmacêuticos) e terapia comportamental parecem demonstrar grandes benefícios. Um tratamento eficaz tem de considerar os efeitos da medicação nas condições do comportamento, físicas e parentais, que podem influenciar a sua aplicação.

A avaliação cuidadosa deve preceder o tratamento. Alguns dos elementos mais importantes no tratamento da PHDA incluem a adesão às rotinas diárias, o envolvimento parental e dos educadores, bem como a autonomia e objectivos de auto-regulação. Um plano de intervenção bem sucedido deve considerar as necessidades cognitivas, e dirigi-las através da aplicação de estratégias comportamentais. Deve aumentar a ocorrência de comportamentos sociais adequados e reduzir comportamentos anti-sociais, indesejáveis e inadequados, tanto em casa como na escola.

Alguns exemplos de elementos importantes que são incluídos numa intervenção comportamental  para PHDA, são:

 

  • Estabelecer objectivos específicos: os objectivos e as expectativas são claramente transmitidas à criança. Os objectivos são divididos em passos mais pequenos e realizáveis;
  • Providenciar consequências claras: as consequências são claras e seguem o comportamento. As consequências são introduzidas de modo a encorajar comportamentos desejáveis e desencorajar comportamentos indesejáveis;
  • Consistência em todos os contextos: em expectativas e consequências;
  • Adesão a rotinas:
  • Organização dos envolvimentos físicos para minimizar as distracções.

  Voltar ao topo

 

3. Comportamento Anti-Social

Exemplos de comportamentos anti-sociais incluem mentir, roubar, abuso verbal, grosseria, bullying, agressão, vandalismo, destruição, etc. A agressão (verbal e física) é uma das maiores preocupações na escola e em casa. A agressão infantil parece estar correlacionada com outros problemas na vida do adolescente, tais como a delinquência, pobres rendimentos académicos ou abuso de substâncias. Comportamentos agressivos parecem aumentar nos vários estratos sociais e culturas e não limitada a certos locais ou mentalidades.

  Voltar ao topo

 

4. Hábitos Nervosos

Alguns hábitos nervosos, tais como morder as unhas, chuchar nos dedos são comportamentos comuns na primeira infância. No entanto, quando estes comportamentos se tornam crónicos, eles podem ter consequências físicas e sociais, tais como danificação de tecidos, deformações dentárias, pobre aceitação dos pares e avaliação negativa dos pares, que são importantes contributos para o desenvolvimento social. Nestas situações, outros hábitos nervosos tais como o arrancar cabelos pode também aumentar.

Algumas teorias sugerem que os hábitos nervosos são evocados pelo stress e/ou pela ansiedade. A teoria das “environmental restriction” que limita a actividade motora promove os hábitos nervosos. Por outro lado, a “arousal modulation theory” sugere que os comportamentos como o morder as unhas acalmam o indivíduo em alturas de estimulação automática (ansiedade) e providencia estimulação em tempos de inactividade (tédio). Actualmente, nenhuma das teorias ganhou maior apoio empírico sobre a outra.

Comportamentos como morder as unhas e chuchar nos dedos podem ser acções naturais quando satisfazem ocasionalmente; uma tensão simples que desencadeia um mecanismo (forma de dependência); ou um sinal de tensão interna severa e persistência. Hábitos nervosos podem ser mantidos devido a diversas variáveis em diferentes indivíduos, tornando necessário determinar a função do comportamento alvo individualmente.

  Voltar ao topo

 

5. Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC)

A American Academy of Child and Adolescent Psychiatry estima que cerca de 1 em 200 crianças apresenta a perturbação cerebral conhecida como Perturbação Obsessivo-Compulsiva. A condição é caracterizada por obsessões (recorrentes e persistentes pensamentos, impulsos ou imagens) e compulsões (comportamentos repetitivos e rituais, como lavar as mãos), que podem influenciar bastante a vida da criança. As causas desta perturbação são ainda incertas, apesar de a relação entre factores genéticos e envolvimentais ser plausível. Crianças e adultos que sofrem desta perturbação são frequentemente diagnosticadas como condições associadas, tais como depressão, perturbações da ansiedade, perturbações de pânico, perturbação de défice de atenção, dificuldades de aprendizagem e Síndrome de La Tourette.

Crianças que sofrem de POC são sobretudo rapazes com inteligência média ou elevada, com famílias que apresentam POC ou outras condições psiquiátricas relacionadas. Com idade de início para rapazes entre os 5 e os 8 anos, enquanto nas raparigas se situa durante a adolescência. Torna-se ainda mais difícil, considerando que a maioria dos professores não estão treinados para lidar com sérios problemas de comportamento. No contexto de sala de aula, a criança com POC pode insistir em desenhar um mapa inúmeras vezes, afiando continuamente o lápis, coleccionar papéis ou organizando continuamente a sua secretária. À medida que a criança cresce, as suas obsessões podem ficar relacionadas com compulsões, assumindo cada vez um maior controlo sobre a vida da criança. A criança pode começar a isolar-se, e mais tarde passar ao consumo de álcool e drogas e até mesmo tentar o suicídio. Estas crianças podem ainda desistir do percurso escolar e levar uma vida caracterizada por sub-realização e oportunidades perdidas.

As seguintes obsessões são as mais frequentes em crianças e adolescentes com esta perturbação:

 

  • Medo de contaminação;
  • Medo de serem magoados, de adoecerem ou morrerem;
  • Obsessão por números;
  • Obsessão pelo mal;
  • Rituais de limpeza;
  • Compulsões de verificação;
  • Compulsões de repetição;
  • Compulsões de simetria;
  • Compulsões de evitamento;
  • Compulsões de garantia.

  Voltar ao topo

 

6. Medos, Ansiedade e Fobias

Os adolescentes estão entre o grupo que parece ser mais afectado pela ansiedade como resultado da pressão de um exame, actividades extracurriculares, namoros e relações com os pares. Apesar de ser natural alguma ansiedade neste tipo de situações, alguns indivíduos sentem-se sufocados. Quando a ansiedade é persistente, intensa e impede o indivíduo de aproveitar a vida e de funcionar eficientemente, torna-se uma perturbação. Neste caso, o indivíduo pode beneficiar de estratégias a curto ou longo prazo que ajudam a controlar e superar medos e ansiedades causadas por exposição a determinadas situações.

  Voltar ao topo

 

7. Fobias Específicas

Quase todas as crianças experienciam algum tipo de medo durante o seu desenvolvimento. Apesar da maioria dos medos variar quanto à frequência, intensidade e duração, eles tendem a atenuar e mesmo a desaparecer ao fim de algum tempo. Os medos típicos que as crianças vivenciam incluem medo de estranhos; de separação; sons fortes; escuro; criaturas imaginárias; determinados animais (ex: aranhas, cobras, cães). Estes receios parecem resultar de experiências diárias e não incluem reacções intensas e persistentes; eles têm durações curtas e são adaptativos.

Quando os medos e ansiedades se tornam persistentes (duram mais de 6 meses) e se fazem acompanhar de reacções intensas, eles começam a interferir com o funcionamento normal. O desenvolvimento e a manutenção nas fobias infantis parecem ser influenciados por factores genéticos, predisposições de temperamento, psicopatologia parental, práticas parentais e condições e história individuais.

Investigadores definem fobias como:

 

  • Desproporcionadas face às situações;
  • Não são explicadas nem razoáveis;
  • Ultrapassam o controlo voluntário;
  • Conduzem ao evitamento das situações temidas;
  • Persistem e estendem-se por largos períodos de tempo;
  • Desadaptadas;
  • Não dependem de uma idade ou fase específica.

  Voltar ao topo

 

8. Fobia Escolar

Algumas crianças apresentam dificuldades em frequentar a escola e podem ficar bastante perturbadas ou mesmo doentes quando forçadas a irem à escola. Estas crianças não são nem delinquentes nem anti-sociais. O problema pode ser exacerbado pelas expectativas parentais. Berg e colegas (1969) sugerem os seguintes critérios para evitar a escola:

 

  • Dificuldades acentuadas na escola, frequentemente em resultado da ausência;
  • Severas perturbações emocionais, incluem excessivo receio, explosões temperamentais, queixas de sensações de doença quando encaram a possibilidade de regresso à escola;
  • Permanecer em casa com o conhecimento dos pais;
  • Ausência de características anti-sociais, tais como roubo, mentiras e destruição;
  • Sentimento de competência bastante negativo e angústia emocional.

  Voltar ao topo

 

9. Relação com os Irmãos

A relação com os irmãos é única, porque dura uma vida inteira e continua a assumir uma grande importância na idade adulta. A qualidade desta relação muda no seio da família e em diferentes famílias. Estas diferenças individuais na primeira infância parecem ter sido relacionados com a capacidade de ajustamento social e compreensão da criança. A adaptação do papel dos irmãos nos comportamentos agressivos da criança tem sido documentado, e o comportamento das crianças na escolaridade básica encontra-se associado com a qualidade da relação dos irmãos em idades precoces e durante o pré-escolar.

Uma das primeiras tarefas dos jovens adultos é o desenvolvimento de relações interpessoais. Os irmãos mais velhos são frequentemente encarados como agentes de socialização e figuras de vinculação significativos. De acordo com este aspecto, enquanto os conflitos são situações normais entre os irmãos em diferentes idades, torna-se cada vez mais importante encorajar um sistema familiar cooperante, caracterizado pelo envolvimento em comportamentos pró-sociais, afecção e jogo cooperativo, cooperação, ajuda, elogio, conforto, garantia e partilha.

  Voltar ao topo

 

10. Perturbações do Sono

Insónia, pesadelos, e incapacidade de adormecer ou dormir são situações normais nas crianças e adultos. Porém quando elas ocorrem frequentemente, elas começam a interferir com o normal funcionamento. Actualmente, existem cada vez mais crianças diagnosticadas com perturbações do sono, um facto que pode ser associado ao aumento dos diagnósticos de PHDA.

Pesquisas sugerem que crianças na escola primária, que conseguem dormir suficientemente, o que é definido por 11 horas por noite, apresentam melhores resultados académicos, melhor humor, sofrem menos acidentes, são menos propensas à obesidade do que aquelas que não dormem o suficiente. Por outro lado, crianças que não dormem o suficiente frustram mais facilmente, são menos tolerantes, mais irritáveis e desafiantes. Outros estudos indicam ainda que a ausência de sono está associada com períodos de atenção reduzida e períodos de reacção superiores. Algumas crianças tornam-se mais activas quando dormem pouco.

É bem conhecido que a necessidade biológica aumenta durante a fase de maturação. Sendo assim, a capacidade de interagir e de aprender pode ser diminuída em crianças que sofrem de privação de sono. A redução da eficiência cognitiva e o aumento dos problemas de comportamento é frequentemente observado em crianças e adolescentes que não dormem o número de horas necessárias.

 Voltar ao topo

 

11. Violência na Escola

A violência na escola é um problema contínuo e a sua taxa aumenta numa escala internacional. Este tipo de violência não surge apenas nas suas formas mais óbvias, como o bullying, a insubordinação e o vandalismo. Surge também de formas mais subtis, como o distúrbio na sala de aula, ameaças verbais e humilhação. Estes aspectos contribuem para a criação de um envolvimento de aprendizagem inseguro e ameaçador (Putnam, Handler, Ramirez-Piatt & Luiselli, 2003).

Investigadores distinguiram três tipos de agressão: agressão directa, que é a agressão física; agressão directa verbal, como praguejar ou ameaçar; agressão indirecta, que incluem magoar ou ofender um indivíduo através de outro, como contar histórias, iniciar rumores ou excluir de actividades.

Outra dimensão que ameaça o envolvimento de aprendizagem é o comportamento disruptivo na sala de aula. Este aspecto assume várias formas, sendo as mais comuns a não cooperação e a recusa; agressão face ao adulto ou professor; desafio da autoridade; e interrupção da instrução.

Algumas evidências científicas ilustram que o apoio dos pares promove os comportamentos anti-sociais, mesmo antes da adolescência, sendo que o apoio dos pares funciona como factor de reforço para o comportamento anti-social. A hipótese de Adler & Adler (1995) sugere ainda que a agressão é utilizada como um meio de atingir status para o indivíduo, e da mesma forma a sua continuação facilita a manutenção do status alcançado. No entanto, algumas crianças violentas são também elas, alvo de exclusão social e descritas como não-populares. Estas crianças, são ainda frequentemente alvos como protagonistas do bullying.

Alguns cientistas sugerem que por volta dos 5 a 7 anos é crucial o desenvolvimento social e cognitivo, quando as crianças desenvolvem as suas competências de percepção e de resolução de problemas, dado que agressão é vista como um instrumento para alcançar o status social numa altura posterior da vida, quando a cognição social é mais desenvolvida.

É claro que as diferenças de idade e género existem no fenómeno no comportamento social. Também, a personalidade parece assumir um papel (agressividade como base característica de uma amizade subjacente), bem como as normas do grupo social e factores parentais. A intervenção na prevenção ou extinção, tem em conta todas estas variáveis e como tal incide a sua abordagem em contextos e elementos diversos.

 Voltar ao topo

 
OUTRAS ESPECIALIDADES PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

1. Terapia da Fala

2. Terapia Familiar

3. Terapia Ocupacional

4. Psicomotricidade

 

1. Terapia da Fala

O Autismo é uma desordem neurodesenvolvimental em que a expressão varia acentuadamente de um indivíduo para outro. Deste modo, é tratado como um Terapia da Fala
A Terapia da Fala está associada à comunicação humana (fala e linguagem), assim como a perturbações das funções auditiva, visual, cognitiva, muscular, respiratória, deglutição e voz.
O Terapeuta da Fala é o profissional responsável pela prevenção, avaliação e tratamento das perturbações da comunicação humana, nomeadamente: linguagem (compreensão e expressão), articulação verbal, gaguez, leitura e escrita e deglutição;
As perturbações podem aparecer em qualquer idade, podendo ser de desenvolvimento ou adquiridas. As perturbações mais frequentes na criança são:

  • Atraso de Desenvolvimento da Linguagem (ADL);
  • Perturbação Específica da Linguagem (PEL);
  • Atraso Global do Desenvolvimento;
  • Afasia de Desenvolvimento;
  • Dificuldades de Aprendizagem;
  • Perturbação articulatória;
  • Gaguez;
  • Alterações vocais (disfonias).


As perturbações mais frequentes nos adultos são:

  • Afasia;
  • Disfagia;
  • Disartria;
  • Apraxia do discurso;
  • Alterações vocais (disfonias).
O terapeuta da Fala trabalha sempre que possível em parceria com outros profissionais de saúde com o intuito de maximizar a intervenção realizada.
São os objectivos da intervenção da Terapia da Fala o possibilitar à criança e adulto, de acordo com as suas capacidades, um nível óptimo de funcionamento e de comunicação que corresponda ao seu meio social e educacional.

Duração das sessões
    A avaliação em Terapia da Fala poderá durar uma ou duas sessões (cada uma com a duração de uma hora) mediante a patologia apresentada, bem como, a sua gravidade.    
    As sessões de intervenção poderão ter a duração de 30 a 45 minutos, dependendo da patologia e gravidade apresentadas pela criança/adulto.   

Terapia da Fala e Língua Inglesa         
No que respeita à intervenção utilizando a língua inglesa na terapia da fala, apenas se poderá trabalhar mediante patologias vocais ou de deglutição, uma vez que não seria o mais correcto intervir em áreas como linguagem (compreensão e expressão) e comunicação em geral, quando a língua materna do terapeuta é Portuguesa.

 

2. Terapia Familiar

A Terapia Familiar Sistémica visa o equilíbrio do sistema familiar, procurando promover o bem-estar de cada um dos seus elementos e respectivas inter-relações. Partindo do princípio de que cada indivíduo influencia e é influenciado pela sua família, quando surge um problema visível num dos elementos tal irá implicar um ajustamento de todos e respectivas inter-relações. Assim, qualquer mudança no sistema familiar (nascimentos, mortes, casamentos, saída de casa dos filhos, doenças crónicas, doenças terminais, desemprego, etc.) irá exigir que este se readapte à nova situação. Muitas das mudanças no sistema familiar acontecem naturalmente sem uma reflexão aprofundada, contudo há momentos no ciclo vital da família em que se sente um mal-estar generalizado, alguma tensão ou um dos familiares apresenta alguns sintomas como tristeza mais ou menos profunda, irritabilidade, angústia, agressividade, fazendo com que a família pare para reflectir sobre a sua situação. Consideramos que se trata de uma crise familiar sempre que a família sente necessidade de efectuar uma mudança significativa na sua dinâmica. No caso de esta crise estar a gerar sofrimento poderá estar a desenrolar-se um ajustamento desadequado ao bem-estar do sistema familiar. Na Terapia Familiar Sistémica procuramos assim, em conjunto com a família, encontrar soluções e recursos que permitam a melhor adaptação às crises familiares que naturalmente acontecem, ajudando a família a criar uma realidade positiva, com uma dinâmica flexível e gratificante que permita lidar com a situação emergente e/ou outras que venham a surgir. Pretende-se assim, nesta abordagem, criar relações positivas e promotoras de bem-estar para cada um dos elementos da família.

  Voltar ao topo

 

3. Terapia Ocupacional

O que é a Terapia Ocupacional?

A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde que habilita as pessoas para se envolverem em ocupações, e dessa forma, promoverem a sua saúde e qualidade de vida. Ocupação é tudo o que a pessoa realiza com o objectivo de cuidar de si própria, desfrutar da vida ou contribuir para o desenvolvimento da comunidade, como por exemplo, alimentar-se, cuidar da sua higiene pessoal, estudar, conduzir ou até mesmo conviver com os amigos. Para que tal aconteça o terapeuta ocupacional avalia e intervém em três dimensões - na pessoa, na ocupação e no ambiente – de forma a que a pessoa consiga realizar as ocupações mais importantes para si. No caso de não existir a possibilidade de realizar as ocupações como pretendido o terapeuta estuda com a pessoa formas alternativas de as realizar, através da utilização de ajudas técnicas ou de adaptações no ambiente familiar, social ou profissional.


Intervenção

Em pediatria, a intervenção de um Terapeuta Ocupacional pode abranger diversos problemas nos componentes sensório-motores, cognitivos, psicológicos e psicossociais, que interferem nas diferentes áreas de desempenho da criança e/ou adolescente.
A Terapia Ocupacional dá ênfase ao desenvolvimento das competências que permitem à criança brincar, comunicar, relacionar-se com os outros de uma maneira eficaz, cuidar de si mesmo e aprender utilizando, se necessário, dispositivos e estratégias adequadas às suas necessidades. Para isso utiliza diferentes técnicas. De acordo com a idade do utente, a intervenção em Terapia Ocupacional, pode centrar-se em diferentes abordagens terapêuticas, optando o terapeuta pelas que vão de encontro ás necessidades individuais, motivações e interesses da criança/adolescente e com as prioridades familiares, de modo a desenvolver o máximo de autonomia na sua vida pessoal, social e escolar/profissional.

  Voltar ao topo

 

4. Psicomotricidade

A psicomotricidade é um campo transdisciplinar que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas entre o psiquismo e a motricidade. Baseada numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial.

A psicomotricidade é uma terapia de mediação corporal e expressiva, na qual o psicomotricista estuda e compensa condutas motoras inadequadas e inadaptadas, em diversas situações, geralmente ligadas a problemas de comportamento, desenvolvimento, maturação psicomotora, aprendizagem e de âmbito psico-afectivo.

Finalidades:

•    Mobilizar e reorganizar as funções psíquicas, relacionais, emocionais do indivíduo, em todo a sua dimensão desde, bebé a sénior;
•    Melhorar a conduta consciente e o acto mental, onde está inerente a elaboração e execução do acto motor;
•    Fazer com que as sensações e as percepções passem a níveis de consciencialização, simbolização e conceptualização;
•    Harmonizar e aumentar o desenvolvimento global da personalidade e de adaptabilidade social, ou seja, o potencial motor, afectivo-relacional e cognitivo;
•    Fazer do corpo uma síntese integradora da personalidade onde ocorre harmonia entre as relações do psíquico e da globalidade motora;

  Voltar ao topo

 
ESCOLA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Para além de todas as contribuições para a educação que têm sido alcançadas pelas ciências comportamentais, o foco nos vários contextos educacionais nos últimos 20 anos tem contribuído para uma intervenção técnica na conquista de modificações comportamentais que são efectivas, seguras e de fácil aplicação por professores e outros técnicos escolares.

Toda a intervenção escolar centra-se no progresso de toda a escola ou da sala de aula, bem como no nível individual. Tentamos conhecer as necessidades dos alunos, famílias e escolas, encorajando o trabalho em equipa e a comunicação entre todos.

Os nossos objectivos estão dirigidos para a conquista de:

Uma perspectiva de equipa para a resolução de problemas de comportamento;

Definição de clara e operante de condutas aceitáveis e inaceitáveis;

Prática baseada na recolha de dados e avaliação contínua;

Educação de adequados valores sociais, tais como responsabilidade, respeito e auto-controlo;

Criação de uma aprendizagem estruturada, reforçada, encorajada e com envolvimento social.

 

Sugai e Horner (2002) demonstra a eficácia duma intervenção compreensiva, em que “(a) todos os alunos são alvo, (b) enfatiza resultados mensuráveis que são valorizados… (c) utiliza a recolha de dados para orientar a política de tomada de decisões, (e) que é dominada pelo reforço positivo e por uma perspectiva de construção de competências, (f) prevenção de stress, e (g) que integra todos os elementos da cultura escolar…”

 

Intervenção no Contexto Escolar

Para conquistar alterações duráveis e extensíveis no comportamento da sala de aula, deve ser desenvolvido um plano de intervenção escolar que seja sensível a e que considere as diversas necessidades da população (estudantes, pais e outros profissionais). As estratégias são desenvolvidas para serem adaptáveis, práticas e aplicáveis.

 

O ênfase é atribuído a:

 

  • Valores;
  • Respeito e Auto-Controlo;
  • Intolerância ou comportamento violento;
  • Contribuição individual para a atmosfera geral dos diferentes envolvimentos escolares;

 

 

Sala de Aula

 

Em primeiro lugar, é importante que os professores reconheçam que o seu papel é importante enquanto “principais técnicos de contingência” no seio da sala de aula. O professor é o responsável pelo desenvolvimento académico e social dos seus estudantes. Nós pretendemos modelar o ponto de vista do professor e a sua consciência para a aplicação de diferentes estratégias comportamentais, de modo a transformar o contexto de sala de aula num envolvimento de aprendizagem positiva, caracterizado pela atenção, participação, paciência, respeito, motivação e realização.

 

Estratégias como a monitorização e modelagem de pares, manipulação da atenção do par, sistemas de motivação e organização, entre outros, podem contribuir significativamente para as competências de organização da sala de aula do professor.

 

Estas estratégias devem ser implementadas com integridade, consistência e precisão, o que torna a fase de treino uma etapa crucial. Professores e pais têm sido bem sucedidos no seu treino, através da realização de avaliações e observações, bem como através da aplicação de estratégias comportamentais que resultam em alterações positivas do comportamento. O treino pode assumir os seguintes formatos, individual, grupal ou piramidal. Cada um é escolhido de acordo com as necessidades, condições envolvimentais e ainda todos os outros contextos e realidades que influenciam tanto necessidades como possibilidades.

 

O processo de intervenção na escola inclui, de uma forma mais específica, entre outras coisas:

 

  • Selecção dos comportamentos que queremos encorajar ou fortalecer;
  • Selecção dos comportamentos a reduzir ou eliminar;
  • Identificação dos reportórios individuais académicos e sociais;
  • Combinar procedimentos de modificação para identificar reportórios;
  • Selecção de contingências de reforço para aumentar e manter condutas adequadas;
  • Acentuar a utilização de reforço e de outras consequências planeadas no envolvimento natural;
  • Acentuar a importância da organização e estrutura do envolvimento.

 

 

Nível Individual

É claro que os comportamentos anti-sociais resultam da pobre realização académica. É ainda claro, que a presença de estudantes anti-sociais ou estudantes com dificuldades comportamentais, tais como impulsividade, hiperactividade e desatenção, entre outras, pode retardar seriamente a fluência do ensino e consequentemente a realização académica dos pares e da classe de aula em geral.

 

Da mesma forma, o comportamento inaceitável de um aluno específico pode em determinados momentos conduzir a atitudes negativas por parte do professor, prejudicando a relação professor-aluno, que acrescenta riscos futuros de diminuir a realização pessoal e a probabilidade de alteração do comportamento.

 

Através da análise do que acontece antes da ocorrência do comportamento (antecedente) e as diferentes formas de resposta do envolvimento à ocorrência do mesmo (consequência), é que conseguimos planear sistematicamente prevenir e alterar gradualmente o comportamento. Pelas observações e manipulações sistemáticas das variáveis do envolvimento e os seus efeitos no comportamento, torna-se possível formular hipóteses que consideram os factores desencadeantes e a função do comportamento-alvo a modificar.

 

A planificação da intervenção baseada nestas hipóteses deve utilizar estratégias comportamentais que se têm demonstrado eficazes, de modo a alcançar a modificação do comportamento. As estratégias utilizadas são escolhidas de acordo com as necessidades individuais, através da consideração de alguns parâmetros de aplicação (ex: tempo, facilidade, etc.). Os principais objectivos são a conquista do auto-controlo, auto-regulação, e comportamentos de envolvimento na tarefa, entre outros.

 

O nível individual da intervenção académica é dirigida a estudantes que:

 

  • São consistentemente não-cooperantes;
  • Não conseguem alcançar alterações significativas no comportamento após a implementação de uma intervenção em toda a escola;
  • Apresentam comportamentos anti-sociais severos;
  • Têm dificuldades específicas ou únicas;
  • Apresentam uma elevada taxa de comportamentos inapropriados.

 

 

Finalmente, alterações positivas no comportamento têm sido em inúmeras ocasiões relacionadas com o aumento das competências académicas, aumenta da motivação e independência. Por outro lado, serve ainda para reforçar os esforços levados a cabo pelos professores e libertar o seu tempo para lidar com os comportamentos inapropriados, de modo a tornar esse tempo disponível para o ensino.

 
ESPECÍFICA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Além da escola e das intervenções intensivas designadas para as crianças com perturbações do desenvolvimento, ainda proporcionamos intervenção directa sobre comportamentos desafiantes. Uma intervenção deste tipo dirige-se a problemas tais como tiques nervosos (ex: chuchar no dedo, morder as unhas), perturbações da alimentação, treino de casa de banho, perturbações do sono, dependência, perturbações de conduta, perturbação de oposição e desafio, comportamento anti-social (ex: mentir, roubar, etc), fobias, hiperactividade, ataques de fúria, relações com os irmãos entre outros.

O tratamento inicia-se com o processo de avaliação, que inclui entrevistas e observações, tanto quanto necessário, de modo a delinear estratégias comportamentais para aumentar e/ou diminuir comportamentos alvo definidos. Na maioria dos casos, o treino de pais constitui uma parte integral da intervenção. Educadores e outras pessoas significativas para a criança devem de igual modo receber treino se e quando necessário.

 

Alguns pontos importantes que a equipa deve considerar na criação de um plano de intervenção são:

 

  • Informação proveniente de todos os indivíduos significativos;
  • Definições operantes de comportamentos, objectivos e estratégias;
  • Esboço de estratégias instrucionais baseadas em evidências;
  • Adaptação aos vários envolvimentos (ex: casa, sala de aula, recreio, etc.);
  • Foco no apoio positivo;
  • Alterações necessárias no programa académico e curricular, envolvimento físico, etc.;
  • O progresso é registado e o plano é avaliado;

 

 
INTENSIVA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Ao longo da última década, a Análise Comportamental Aplicada (ABA), principalmente com crianças autistas, tem sofrido um retorno à popularidade. A intervenção comportamental pode ser positivamente aplicada com um elevado grau de flexibilidade. Mais importante ainda, esta forma de intervenção tem-se revelado muito eficaz.

A intervenção comportamental intensiva tem vindo a mostrar cada vez mais sucesso no trabalho com crianças em aumentar a funcionalidade de áreas como a linguagem, o brincar, a socialização, a auto-ajuda, entre outras. Não obstante, os resultados possíveis com o tratamento variam consideravelmente e dependem de factores como a idade em que se inicia a intervenção e a capacidade cognitiva da criança. Todo o tratamento é desenvolvido de modo a aproveitar ao máximo todas as capacidades da criança.

Apesar da popularidade de ABA ser recente, a análise comportamental aplicada não é um procedimento inovador. Na verdade, ABA baseia-se em mais de 50 anos de investigação científica feita com indivíduos que apresentam uma variedade de perturbações comportamentais e desenvolvimentais. A investigação demonstra a eficácia desta forma de intervenção em reduzir comportamentos disruptivos, tipicamente observados em indivíduos com autismo, tal como a auto-agressão, birras, falta de cooperação e auto-estimulação. A ABA também se tem revelado eficaz no ensino e aperfeiçoamento de capacidades comuns que se encontram comprometidas, tais como a comunicação, a socialização, o brincar e a auto-ajuda.

Algumas crianças (principalmente com autismo) têm dificuldade em atender adequadamente a, em interpretar e em utilizar o feedback que recebem de forma automática do contexto que as rodeia. A ABA, bem como intervenções subsequentes, analisam estas interacções com o meio e sequências de comportamentos, explicitando as regras, as consequências e as expectativas, que os outros compreendem de forma automática. Desta forma, pretende-se desenvolver estas capacidades e comportamentos de modo a torná-las mais adaptativas, úteis e sustentáveis. A intervenção comportamental ensina a criança, não só a conhecer as regras do que é esperado, mas também a utilizar as suas capacidades e comportamentos de forma mais automática, modificando o comportamento e adicionando novos comportamentos através de princípios bem estabelecidos e compreendidos, tal como o reforço, a modelagem, a ajuda, a extinção e a generalização.

 Com esta tecnologia, os comportamentos alvo são divididos em pequenas componentes independentes e cada capacidade é ensinada sistematicamente, de uma forma adaptada e eficaz para a criança. Inicialmente, a intervenção é individual, recorre a ajudas e reforços específicos ("errorless learning") até a criança obter um nível de mestria predeterminado, que por sua vez, assegura a probabilidade de manutenção e generalização desta nova capacidade. O sucesso é suportado na constante modificação sistemática do programa, que acompanha o progresso da criança e que eventualmente, acrescenta planos de generalização que ajudam a transferência das capacidades para outros contextos e situações. O sucesso de qualquer programa comportamental depende da claridade dos objectivos, da escolha propositada de estratégias de ensino e de conteúdos a ensinar, da escolha adequada de reforços e dos calendários de reforço, da aplicação apropriada das ajudas e a sua respectiva extinção, da inclusão significativa da generalização e da aplicação consistente de princípios comportamentais.

Idade, Intensidade do Tratamento e Outras Considerações

Enquanto a maioria da pesquisa sobre o tratamento intensivo comportamental tem sido feita, quase exclusivamente, com crianças muito pequenas, a experiência tem demonstrado que as crianças mais velhas podem beneficiar substancialmente de um formato de tratamento similar. São aplicadas modificações ao plano de intervenção de acordo com a idade e o nível de desenvolvimento da pessoa, tendo em consideração a necessidade de ensinar capacidades funcionais e adequadas à idade; a eficácia e a adequação dos reforços, da severidade dos comportamentos disruptivos; e o estabelecimento de expectativas realistas.

Os programas podem ser aplicados com pessoas de todas as idades, numa variedade de contextos, incluindo em casa, na escola, no emprego, em formação, etc. A intervenção com crianças mais velhas requer um tratamento especial para focar nas suas necessidades específicas, tal como o desenvolvimento de estratégias de coping (para lidar com a frustração), a auto-estima e estratégias sociais complexas. Adicionalmente, estratégias desenvolvidas para lidar com questões interpessoais, tais como a depressão, a resolução de problemas e conflitos com familiares e amigos são necessárias.

Ao determinar a intensidade ou o número de tratamentos por hora, a rotina diária da criança deve ser considerada de modo a determinar um equilíbrio apropriado entre períodos de ensino intensivo e períodos menos intensivos (mas igualmente estruturados), não esquecendo que a criança também precisa de períodos de tempo livre. Para além do número de horas de trabalho um para um, a qualidade do ensino e o grau de estruturação providenciada for a das horas de terapia também devem ser consideradas. A pesquisa mostra que muitas crianças têm bons resultados com 30 ou mais horas semanais de instrução directa. A duração das sessões de terapia deve ser ajustada de modo a oferecer o máximo de benefício. Recomenda-se que a sessão dure entre 2 a 3 horas. Uma vez que a criança comece a passar uma parte do dia na escola, é recomendável reduzir as horas de terapia em casa.

O ensino através de Tentativas Discretas é uma metodologia específica utilizada para maximizar a aprendizagem. Há um processo de ensino usado para desenvolver várias capacidades, incluindo cognição, comunicação, brincar, socialização e auto-ajuda. Para além disso, trata-se de uma estratégia que também pode ser utilizada em todas as idades e populações.

A técnica envolve: 1) dividir a capacidade em partes mais pequenas; 2) ensinar cada sub-capacidade individualmente até ser aprendida; 3) permitir uma prática repetida durante um período concentrado de tempo; 4) providenciar ajudas e a sua extinção conforme necessária; e 5) recorrer a procedimentos de reforço.

Uma sessão de ensino envolve muitas tentativas, em que cada tentativa tem um começo e um fim distinto, daí um nome discreto. Cada pequena parte da tarefa tem de ser aprendida antes de ser apresentada nova informação. Nesta técnica de ensino, uma pequena unidade de informação é apresentada e a resposta do aluno é imediatamente produzida. Isto contrasta com tentativas contínuas e métodos de ensino mais tradicionais que apresentam grandes quantidades de informação, sem uma resposta alvo bem definida por parte do aluno.

Outras técnicas usadas no tratamento podem incluir a gestão do comportamento, intervenção na crise, interacções estruturadas de ensino e aconselhamento mais tradicional.

Contexto de Ensino

Inicialmente o ensino é feito num meio que favorece o sucesso. Na maioria dos casos, isto significa um meio controlado com fontes de distracção reduzidas. No entanto, o ensino deve ser rapidamente estendido para contextos comuns do dia-a-dia, tornando-se mais natural e promovendo a transferência do acto de aprender para todos os contextos. Consequentemente, a terapia deve ocorrer pela casa toda, assim como no exterior e inserida na comunidade (p.e. no parque, no mercado, etc.). Se as distracções surgem como um problema, seria crítico ajudar a criança a aprender a focar a sua atenção, mesmo na presença de interferência do meio. As crianças devem de ser capazes de aprender numa variedade de ambientes, em que as distracções ocorrem naturalmente, desta forma preparando-as para a aprendizagem em contextos típicos, como a escola.

O quarto adaptado para a terapia: De forma a garantir as condições controladas e estruturadas de início, é concordado com a família que a terapia deve decorrer numa área reservada na escola ou em casa. Esta divisão deve ter, pelo menos, uma mesa e 2 cadeiras, uma estrutura para guardar o material de forma organizada e mantê-lo acessível, reforços e alguns itens motivantes. As condições devem ser inteiramente manipuladas pelo terapeuta para combinarem com o programa e as necessidades da criança.

Treino no Meio Natural: Conforme a criança vai adquirindo novas capacidades e habilidades, o contexto de ensino deve ser alargado para a toda a casa, escola, bairro, etc. somente desta forma é que a criança terá a oportunidade de generalizar o seu conhecimento e o terapeuta terá a possibilidade de a pôr à prova em situações reais, em que condições menos favoráveis poderão ocorrer em actividades diárias comuns.

Material

De modo a poder aplicar um programa, são fundamentais materiais apropriados. A maior parte das famílias escolhe ter um papel mais activo na preparação do material necessário, mas conhecendo as dificuldades reais com que se deparam, dada a escassez de fontes, a exigência de um programa em constante evolução e alteração, uma lista infindável de materiais que aumenta semanalmente ou a falta de tempo, a equipa também oferece serviços nesta área também. Para mais informações sobre a possibilidade do centro ser responsável pelo material de mesa deverá consultar o regulamento.

O Processo de Terapia

Família: O envolvimento da família é crítico no processo de tratamento. Ninguém conhece melhor, nem se preocupa mais com o seu bem-estar do que os pais e são também, os mais afectados pela perturbação da criança. Os pais passam demasiado tempo com a criança e encontram-se numa posição que lhes permite estruturar situações de aprendizagem nas actividades de vida diária. Podem ainda providenciar algumas sessões de aprendizagem estruturadas com a criança. No entanto, é importante perceber que viver com uma criança com autismo requer uma grande disponibilidade emocional, logo este aspecto relacionado com a coordenação de uma equipa de terapeutas é uma responsabilidade adicional.

A maioria dos programas de ensino intensivo deve ser providenciado por uma equipa remunerada, voluntários ou por técnicos e profissionais da escola. Isto permite aos pais terem uma pausa e no restante tempo poder usufruir de momentos mais produtivos e agradáveis com os seus filhos. Os pais podem ainda utilizar o “tempo disponível” dos seus filhos para aumentar o tempo de ensino intensivo, desenvolvendo as competências de jogo, sociais e de autonomia. O banho, jantar, vestir e alimentar o animal de estimação são apenas alguns exemplos de rotinas que oferecem oportunidades de ensino. As visitas ao parque infantil, mercearia, correios ou a visita a casa de um familiar, são oportunidades de generalizar competências e trabalhar na melhoria de alguns comportamentos. Deste modo, o dia inteiro da criança é apenas mais uma parte do processo de tratamento e os pais tornam-se parte integral da equipa.

Características da Equipa: A intervenção baseada no programa ABA, enfatiza uma abordagem positiva e sistémica para o ensino de competências funcionais e para a redução de problemas de comportamento. A criatividade e flexibilidade deste programa facilita a exploração dos recursos disponíveis para cada criança.

Enquanto algumas técnicas de ensino têm-se demonstrado consistentemente eficazes, deve ser reconhecido que cada pessoa que trabalha com a criança tem o seu próprio estilo e contribuição única a acrescentar ao processo educativo e terapêutico. Nas fases iniciais de tratamento, é importante que todos os membros da equipa respeitam consistentemente os mais pequenos detalhes do programa de ensino. À medida que a criança adquire competências, torna-se importante que deliberadamente se aumente a variabilidade de modo a facilitar a generalização a todas as pessoas e contextos do envolvimento natural da criança.

É raro encontrar um terapeuta experiente que consiga trabalhar com o seu filho no primeiro dia. Apesar de a experiência ser uma mais valia, existem inúmeros factores que determinam tanto a competência da pessoa para ser um bom terapeuta comportamental. Procuramos pessoas que sejam entusiastas, ávidos por aprender, sérios, e capazes de aceitar e compreender feedback. A conclusão de formação académica na área da psicologia ou da educação especial é altamente desejada. É ainda recomendado que a equipa abranja entre 2 a 4 terapeutas, que possam trabalhar entre 6 a 12 horas semanais cada.

Terapeuta Líder: Para coordenar todas as partes envolvidas, a equipa necessita de uma terapeuta líder. Directamente relacionada com a equipa, a terapeuta líder é responsável pela coordenação entre as pessoas envolvidas na intervenção (pais, professores e outros técnicos), resolução de problemas, apresentação do programa e avaliação de todo o processo.

 

A evolução do programa depende da recolha constante de dados apurados diariamente de forma a poder acompanhar o desenvolvimento da criança. Baseado nos dados, o terapeuta líder altera o programa e aumenta a lista de material. Sensivelmente de três em três meses, a terapeuta líder deve reavaliar a criança para se certificar que o progresso é registado.

 

Finalmente, o terapeuta líder é o principal laço entre todos os membros significativos da vida da criança, incluindo terapeutas, família e escola, e deve garantir uma constante rede de informação para assegurar o bom relacionamento que apenas pode beneficiar a intervenção.

O resto da equipa tem a maior responsabilidade de todas – aplicar o programa. Baseado num programa individual designado e em estratégias específicas para lidar com o comportamento, os terapeutas devem garantir a consistência e eficácia de forma a promover as condições ideais para a criança aprender ou aperfeiçoar competências e habilidades.

Supervisão: Uma pessoa qualificada deve liderar a equipa. Requer anos de treino e experiência para se ser capaz de treinar e supervisionar outros na implementação do programa comportamental. Enquanto existem elementos comuns no tratamento da maioria das crianças autistas, cada criança apresenta um desafio único no que diz respeito ao projecto e orientação do processo de aprendizagem optimal. O nível de supervisão necessária encontra-se relacionada com inúmeros factores, incluindo o nível de competências da equipa e pais, fase de tratamento, complexidade requerida pelo programa, número de horas do tratamento, etc. É importante que um supervisor qualificado esteja envolvido de forma regular e sempre que necessário.

 


Novidades

O Centro ABA já tem uma equipa na margem sul do Tejo e na cidade do Porto.

Ideia do Mês

13. Comportamento Agressivo

A atitude adequada para lidar com o comportamento agressivo no presente poderá evitar ocorrências no futuro. Está nas nossas mãos (adultos) .

Parceiros