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De acordo com a nossa experiência profissional destacamos algumas das áreas de intervenção mais solicitadas, no entanto o ABA não se limita apenas a estas áreas. 1. Desordem do Espectro do Autismo 2. Perturbaçao de Hiperactividade e Défice de Atenção - PHDA 3. Comportamento Anti-Social 4. Hábitos Nervosos 5. Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) 6. Medos, Ansiedade e Fobias 7. Fobias Específicas 8. Fobia Escolar 9. Relação com os Irmãos 10. Perturbações do Sono 11. Violência na Escola 1. Desordem do Espectro do Autismo O Autismo é uma desordem neurodesenvolvimental em que a expressão varia acentuadamente de um indivíduo para outro. Deste modo, é tratado como um espectro, o que significa que os sintomas variam na sua ocorrência e severidade através dos indivíduos. Enquanto um individuo pode apresentar uma boa competência verbal, outra pode nem conseguir vocalizar; enquanto um individuo pode imitar bem os movimentos de outro, outra pode considerar esta habilidade difícil. Portanto, existem dificuldades centrais que são observadas na maioria dos indivíduos diagnosticados com perturbações do espectro do autismo. Estas incluem: Linguagem e Comunicação: estas dificuldades incluem a comunicação verbal e não-verbal, tal como o contacto ocular, expressão facial, linguagem corporal, compreensão da linguagem falada, etc. Comportamento Social: indivíduos que são diagnosticados com perturbações do espectro do autismo geralmente consideram difícil a compreensão e/ou expressão das emoções, tal como mostrar empatia e no discurso com outros. Eles geralmente demonstram ainda dificuldades na interacção social e nas actividades lúdicas. Comportamento: indivíduos diagnosticados com perturbações do espectro do autismo geralmente envolvem-se em comportamentos repetitivos, eles podem insistir em determinadas routinas ou rituais; organizações rígidas de objectos, etc. O autismo emerge nos primeiros 3 anos de vida. Indivíduos afectados por esta perturbação manifestam atrasos nas competências que são aprendidas entre a infância e a idade adulta. Esta perturbação afecta os indivíduos, suas famílias, prestadores de cuidados e todos aqueles envolvidos no seu dia-a-dia, especialmente quando temos em consideração a complexidade de comportamentos, reacções e emoções que os indivíduos apresentam. Apesar dos tratamentos, a intervenção intensiva precoce particularmente, pode promover as competências individuais, comportamento, autonomia, comunicação, interacção social e funcionamento geral, não existe “cura” para o autismo. No entanto, se nenhuma intervenção for aplicada, as probabilidades da criança autista crescer e se tornar um adulto funcional são drasticamente reduzidas. Uma das mais sucedidas intervenções, baseado nas conclusões científicas, é IEBI (Intervenção Precoce Comportamental Intensiva). Baseado na teoria da aprendizagem e estudos do condicionamento operante de Skinner, IEBI acenta na identificação dos princípios do comportamento, tais como, o reforço, fading, shaping, prompting, etc. ABA refere-se à aplicação destes e de outros princípios, e actualmente abrange diferentes estratégias de tratamento. Um dos primeiros estudos que aplica os princípios da aprendizagem comportamental à população com perturbações do espectro do autismo é Dr. Ivar Lovaas, na UCLA durante os anos 60’s. Neste estudo, 47% das crianças diagnosticadas com estas perturbações que recebem intervenção comportamental intensiva precoce foram bem sucedidas no que diz respeito à integração no sistema educativo normal. Um estudo de follow-up, realizado 11 anos mais tarde, confirmou que os benefícios se mantêm. Várias décadas de pesquisa demonstram a eficácia do ABA na intervenção numa ampla variedade de populações, professores, pais, educadores, terapeutas, prestadores de cuidados, contextos e comportamentos. Voltar ao topo 2. PHDA PHDA (Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção) é uma desordem desenvolvimental. É afectada por factores, orgânicos, neurofisiológicos e envolvimentais. PHDA parece estar relacionada com outras condições, tais como ODD (Perturbação de Oposição e Desafio) e CD (Perturbação de Conduta). PHDA frequentemente requer a utilização de medicação para controlar comportamentos e sintomas cognitivos. Até agora, a combinação de estimulantes (farmacêuticos) e terapia comportamental parecem demonstrar grandes benefícios. Um tratamento eficaz tem de considerar os efeitos da medicação nas condições do comportamento, físicas e parentais, que podem influenciar a sua aplicação. A avaliação cuidadosa deve preceder o tratamento. Alguns dos elementos mais importantes no tratamento da PHDA incluem a adesão às rotinas diárias, o envolvimento parental e dos educadores, bem como a autonomia e objectivos de auto-regulação. Um plano de intervenção bem sucedido deve considerar as necessidades cognitivas, e dirigi-las através da aplicação de estratégias comportamentais. Deve aumentar a ocorrência de comportamentos sociais adequados e reduzir comportamentos anti-sociais, indesejáveis e inadequados, tanto em casa como na escola. Alguns exemplos de elementos importantes que são incluídos numa intervenção comportamental para PHDA, são: - Estabelecer objectivos específicos: os objectivos e as expectativas são claramente transmitidas à criança. Os objectivos são divididos em passos mais pequenos e realizáveis;
- Providenciar consequências claras: as consequências são claras e seguem o comportamento. As consequências são introduzidas de modo a encorajar comportamentos desejáveis e desencorajar comportamentos indesejáveis;
- Consistência em todos os contextos: em expectativas e consequências;
- Adesão a rotinas:
- Organização dos envolvimentos físicos para minimizar as distracções.
Voltar ao topo 3. Comportamento Anti-Social Exemplos de comportamentos anti-sociais incluem mentir, roubar, abuso verbal, grosseria, bullying, agressão, vandalismo, destruição, etc. A agressão (verbal e física) é uma das maiores preocupações na escola e em casa. A agressão infantil parece estar correlacionada com outros problemas na vida do adolescente, tais como a delinquência, pobres rendimentos académicos ou abuso de substâncias. Comportamentos agressivos parecem aumentar nos vários estratos sociais e culturas e não limitada a certos locais ou mentalidades. Voltar ao topo 4. Hábitos Nervosos Alguns hábitos nervosos, tais como morder as unhas, chuchar nos dedos são comportamentos comuns na primeira infância. No entanto, quando estes comportamentos se tornam crónicos, eles podem ter consequências físicas e sociais, tais como danificação de tecidos, deformações dentárias, pobre aceitação dos pares e avaliação negativa dos pares, que são importantes contributos para o desenvolvimento social. Nestas situações, outros hábitos nervosos tais como o arrancar cabelos pode também aumentar. Algumas teorias sugerem que os hábitos nervosos são evocados pelo stress e/ou pela ansiedade. A teoria das “environmental restriction” que limita a actividade motora promove os hábitos nervosos. Por outro lado, a “arousal modulation theory” sugere que os comportamentos como o morder as unhas acalmam o indivíduo em alturas de estimulação automática (ansiedade) e providencia estimulação em tempos de inactividade (tédio). Actualmente, nenhuma das teorias ganhou maior apoio empírico sobre a outra. Comportamentos como morder as unhas e chuchar nos dedos podem ser acções naturais quando satisfazem ocasionalmente; uma tensão simples que desencadeia um mecanismo (forma de dependência); ou um sinal de tensão interna severa e persistência. Hábitos nervosos podem ser mantidos devido a diversas variáveis em diferentes indivíduos, tornando necessário determinar a função do comportamento alvo individualmente. Voltar ao topo 5. Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) A American Academy of Child and Adolescent Psychiatry estima que cerca de 1 em 200 crianças apresenta a perturbação cerebral conhecida como Perturbação Obsessivo-Compulsiva. A condição é caracterizada por obsessões (recorrentes e persistentes pensamentos, impulsos ou imagens) e compulsões (comportamentos repetitivos e rituais, como lavar as mãos), que podem influenciar bastante a vida da criança. As causas desta perturbação são ainda incertas, apesar de a relação entre factores genéticos e envolvimentais ser plausível. Crianças e adultos que sofrem desta perturbação são frequentemente diagnosticadas como condições associadas, tais como depressão, perturbações da ansiedade, perturbações de pânico, perturbação de défice de atenção, dificuldades de aprendizagem e Síndrome de La Tourette. Crianças que sofrem de POC são sobretudo rapazes com inteligência média ou elevada, com famílias que apresentam POC ou outras condições psiquiátricas relacionadas. Com idade de início para rapazes entre os 5 e os 8 anos, enquanto nas raparigas se situa durante a adolescência. Torna-se ainda mais difícil, considerando que a maioria dos professores não estão treinados para lidar com sérios problemas de comportamento. No contexto de sala de aula, a criança com POC pode insistir em desenhar um mapa inúmeras vezes, afiando continuamente o lápis, coleccionar papéis ou organizando continuamente a sua secretária. À medida que a criança cresce, as suas obsessões podem ficar relacionadas com compulsões, assumindo cada vez um maior controlo sobre a vida da criança. A criança pode começar a isolar-se, e mais tarde passar ao consumo de álcool e drogas e até mesmo tentar o suicídio. Estas crianças podem ainda desistir do percurso escolar e levar uma vida caracterizada por sub-realização e oportunidades perdidas. As seguintes obsessões são as mais frequentes em crianças e adolescentes com esta perturbação: - Medo de contaminação;
- Medo de serem magoados, de adoecerem ou morrerem;
- Obsessão por números;
- Obsessão pelo mal;
- Rituais de limpeza;
- Compulsões de verificação;
- Compulsões de repetição;
- Compulsões de simetria;
- Compulsões de evitamento;
- Compulsões de garantia.
Voltar ao topo 6. Medos, Ansiedade e Fobias Os adolescentes estão entre o grupo que parece ser mais afectado pela ansiedade como resultado da pressão de um exame, actividades extracurriculares, namoros e relações com os pares. Apesar de ser natural alguma ansiedade neste tipo de situações, alguns indivíduos sentem-se sufocados. Quando a ansiedade é persistente, intensa e impede o indivíduo de aproveitar a vida e de funcionar eficientemente, torna-se uma perturbação. Neste caso, o indivíduo pode beneficiar de estratégias a curto ou longo prazo que ajudam a controlar e superar medos e ansiedades causadas por exposição a determinadas situações. Voltar ao topo 7. Fobias Específicas Quase todas as crianças experienciam algum tipo de medo durante o seu desenvolvimento. Apesar da maioria dos medos variar quanto à frequência, intensidade e duração, eles tendem a atenuar e mesmo a desaparecer ao fim de algum tempo. Os medos típicos que as crianças vivenciam incluem medo de estranhos; de separação; sons fortes; escuro; criaturas imaginárias; determinados animais (ex: aranhas, cobras, cães). Estes receios parecem resultar de experiências diárias e não incluem reacções intensas e persistentes; eles têm durações curtas e são adaptativos. Quando os medos e ansiedades se tornam persistentes (duram mais de 6 meses) e se fazem acompanhar de reacções intensas, eles começam a interferir com o funcionamento normal. O desenvolvimento e a manutenção nas fobias infantis parecem ser influenciados por factores genéticos, predisposições de temperamento, psicopatologia parental, práticas parentais e condições e história individuais. Investigadores definem fobias como: - Desproporcionadas face às situações;
- Não são explicadas nem razoáveis;
- Ultrapassam o controlo voluntário;
- Conduzem ao evitamento das situações temidas;
- Persistem e estendem-se por largos períodos de tempo;
- Desadaptadas;
- Não dependem de uma idade ou fase específica.
Voltar ao topo 8. Fobia Escolar Algumas crianças apresentam dificuldades em frequentar a escola e podem ficar bastante perturbadas ou mesmo doentes quando forçadas a irem à escola. Estas crianças não são nem delinquentes nem anti-sociais. O problema pode ser exacerbado pelas expectativas parentais. Berg e colegas (1969) sugerem os seguintes critérios para evitar a escola: - Dificuldades acentuadas na escola, frequentemente em resultado da ausência;
- Severas perturbações emocionais, incluem excessivo receio, explosões temperamentais, queixas de sensações de doença quando encaram a possibilidade de regresso à escola;
- Permanecer em casa com o conhecimento dos pais;
- Ausência de características anti-sociais, tais como roubo, mentiras e destruição;
- Sentimento de competência bastante negativo e angústia emocional.
Voltar ao topo 9. Relação com os Irmãos A relação com os irmãos é única, porque dura uma vida inteira e continua a assumir uma grande importância na idade adulta. A qualidade desta relação muda no seio da família e em diferentes famílias. Estas diferenças individuais na primeira infância parecem ter sido relacionados com a capacidade de ajustamento social e compreensão da criança. A adaptação do papel dos irmãos nos comportamentos agressivos da criança tem sido documentado, e o comportamento das crianças na escolaridade básica encontra-se associado com a qualidade da relação dos irmãos em idades precoces e durante o pré-escolar. Uma das primeiras tarefas dos jovens adultos é o desenvolvimento de relações interpessoais. Os irmãos mais velhos são frequentemente encarados como agentes de socialização e figuras de vinculação significativos. De acordo com este aspecto, enquanto os conflitos são situações normais entre os irmãos em diferentes idades, torna-se cada vez mais importante encorajar um sistema familiar cooperante, caracterizado pelo envolvimento em comportamentos pró-sociais, afecção e jogo cooperativo, cooperação, ajuda, elogio, conforto, garantia e partilha. Voltar ao topo 10. Perturbações do Sono Insónia, pesadelos, e incapacidade de adormecer ou dormir são situações normais nas crianças e adultos. Porém quando elas ocorrem frequentemente, elas começam a interferir com o normal funcionamento. Actualmente, existem cada vez mais crianças diagnosticadas com perturbações do sono, um facto que pode ser associado ao aumento dos diagnósticos de PHDA. Pesquisas sugerem que crianças na escola primária, que conseguem dormir suficientemente, o que é definido por 11 horas por noite, apresentam melhores resultados académicos, melhor humor, sofrem menos acidentes, são menos propensas à obesidade do que aquelas que não dormem o suficiente. Por outro lado, crianças que não dormem o suficiente frustram mais facilmente, são menos tolerantes, mais irritáveis e desafiantes. Outros estudos indicam ainda que a ausência de sono está associada com períodos de atenção reduzida e períodos de reacção superiores. Algumas crianças tornam-se mais activas quando dormem pouco. É bem conhecido que a necessidade biológica aumenta durante a fase de maturação. Sendo assim, a capacidade de interagir e de aprender pode ser diminuída em crianças que sofrem de privação de sono. A redução da eficiência cognitiva e o aumento dos problemas de comportamento é frequentemente observado em crianças e adolescentes que não dormem o número de horas necessárias. Voltar ao topo 11. Violência na Escola A violência na escola é um problema contínuo e a sua taxa aumenta numa escala internacional. Este tipo de violência não surge apenas nas suas formas mais óbvias, como o bullying, a insubordinação e o vandalismo. Surge também de formas mais subtis, como o distúrbio na sala de aula, ameaças verbais e humilhação. Estes aspectos contribuem para a criação de um envolvimento de aprendizagem inseguro e ameaçador (Putnam, Handler, Ramirez-Piatt & Luiselli, 2003). Investigadores distinguiram três tipos de agressão: agressão directa, que é a agressão física; agressão directa verbal, como praguejar ou ameaçar; agressão indirecta, que incluem magoar ou ofender um indivíduo através de outro, como contar histórias, iniciar rumores ou excluir de actividades. Outra dimensão que ameaça o envolvimento de aprendizagem é o comportamento disruptivo na sala de aula. Este aspecto assume várias formas, sendo as mais comuns a não cooperação e a recusa; agressão face ao adulto ou professor; desafio da autoridade; e interrupção da instrução. Algumas evidências científicas ilustram que o apoio dos pares promove os comportamentos anti-sociais, mesmo antes da adolescência, sendo que o apoio dos pares funciona como factor de reforço para o comportamento anti-social. A hipótese de Adler & Adler (1995) sugere ainda que a agressão é utilizada como um meio de atingir status para o indivíduo, e da mesma forma a sua continuação facilita a manutenção do status alcançado. No entanto, algumas crianças violentas são também elas, alvo de exclusão social e descritas como não-populares. Estas crianças, são ainda frequentemente alvos como protagonistas do bullying. Alguns cientistas sugerem que por volta dos 5 a 7 anos é crucial o desenvolvimento social e cognitivo, quando as crianças desenvolvem as suas competências de percepção e de resolução de problemas, dado que agressão é vista como um instrumento para alcançar o status social numa altura posterior da vida, quando a cognição social é mais desenvolvida. É claro que as diferenças de idade e género existem no fenómeno no comportamento social. Também, a personalidade parece assumir um papel (agressividade como base característica de uma amizade subjacente), bem como as normas do grupo social e factores parentais. A intervenção na prevenção ou extinção, tem em conta todas estas variáveis e como tal incide a sua abordagem em contextos e elementos diversos. Voltar ao topo |